sexta-feira, 24 de abril de 2009

Divã (2009)



O filme conta a terapia de Mercedes, a protagonista. Á princípio, uma idéia original e atraente.
De um lado, a paciente: uma mulher na meia-idade, casada, insatisfeita com a vida que leva, mas tolerante em relação ao marido e à si mesma.
Do outro lado (e sempre de costas para a câmera), o terapeuta: Não se sabe se está morto ou se é mudo. O espectador não vê seu rosto, não ouve sua voz, não conhece seus pensamentos. Nem o próprio Freud seria mais neutro.
Fico embasbacada com a visão que o cinema passa da psicologia e da psicanálise para o público. Não me admira ouvir de leigos que "psicólogo não faz nada", só escuta, que ganha dinheiro mole. Afinal, é isso o que a mídia quase sempre passa. São raras as iniciativas em que o terapeuta é interventivo e mostrado por uam perspectiva mais séria, como no seriado "Em Terapia" (In Treatment, da HBO).

No fim das contas, Divã é divertidíssimo, hilário e, de quebra, provoca uma reflexão. Convida à pensar sobre a transitoriedade dos relacionamentos atuais e nos opostos casamento versus relacionamentos sem compromisso (Na atualidade, qual deles é mais vantajoso?)
Perfeito para ser um pop do cinema nacional como "Se eu fosse você". O que deixa a desejar é a forma com que tratam (ou maltratam) os profissionais de psicoterapia.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Quem Quer Ser um Milionário?"


Deveria se chamar "Show do Milhão".
O título "Quem quer ser um milhonário?" não atrai, foi pessimamente escolhido. Mas já estamos acostumados com as porcas traduções dos títulos de filmes.
O que atrái é saber da reputação deste filme, sucesso de crítica e público, vencedor do oscar de Melhor Filme em 2009.
Curiosíssima com Bollywood, achei melhor começar assistindo esse, para devagarzinho me despir do preconceito contra os filmes do estilo indiano.

Jamal está ganhando o "Show do Milhão" indiano quando é acusado de trapaça. Para se explicar, conta como respondeu a cada pergunta até então. Coincidentemente, tudo o que havia sido questionado estava relacionado a algum fato marcante de sua movimentada vida.
A forma como é contada a biografia do garoto pobre que está prester a virar um milhonário consegue despertar a simpatia do espectador. O "slumdog" (favelado) Jamal torna mais fácil a empatia: é o herói que não desiste nunca. É inocente, pacato, humilde, simples, sincero e sonhador. Assim como a "Cinderela" Latika, mocinha da história.
O filme sabe dosar o drama, o romance e os leves toques de comédia numa mistura agradável. É dramático sem ser chato e romântico sem ser meloso.
O cinema não precisa do excesso de efeitos especiais, nudez e sangue, como tem sido ultimamente.
E o cinema brasileiro tem muito a aprender sobre como conquistar o público com boas histórias e sem apelações desnecessárias.