
O filme conta a terapia de Mercedes, a protagonista. Á princípio, uma idéia original e atraente.
De um lado, a paciente: uma mulher na meia-idade, casada, insatisfeita com a vida que leva, mas tolerante em relação ao marido e à si mesma.
Do outro lado (e sempre de costas para a câmera), o terapeuta: Não se sabe se está morto ou se é mudo. O espectador não vê seu rosto, não ouve sua voz, não conhece seus pensamentos. Nem o próprio Freud seria mais neutro.
Fico embasbacada com a visão que o cinema passa da psicologia e da psicanálise para o público. Não me admira ouvir de leigos que "psicólogo não faz nada", só escuta, que ganha dinheiro mole. Afinal, é isso o que a mídia quase sempre passa. São raras as iniciativas em que o terapeuta é interventivo e mostrado por uam perspectiva mais séria, como no seriado "Em Terapia" (In Treatment, da HBO).
No fim das contas, Divã é divertidíssimo, hilário e, de quebra, provoca uma reflexão. Convida à pensar sobre a transitoriedade dos relacionamentos atuais e nos opostos casamento versus relacionamentos sem compromisso (Na atualidade, qual deles é mais vantajoso?)
Perfeito para ser um pop do cinema nacional como "Se eu fosse você". O que deixa a desejar é a forma com que tratam (ou maltratam) os profissionais de psicoterapia.
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